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| fotos: daryan dornelles |
apenas castelos queimando
publicado em 29 de jan. de 2013 1 comentário »
tempos modernos
publicado em 23 de jan. de 2013 comente »
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| fotos: daryan dornelles |
Rio de Janeiro, verão de 1982. Instalado na praia do Arpoador e, posteriormente, transferido para o bairro da Lapa, o Circo Voador apresentava novos cantores e bandas que, em sua grande maioria, eram influenciados pela new wave e pelo rock dos anos 60, incluindo a jovem guarda. Passando pelo seu palco ou pela então badalada boate Noites Cariocas, nomes como Blitz, Lulu Santos, Ritchie, Eduardo Dusek, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, Biquini Cavadão, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, Leo Jaime e Os Paralamas do Sucesso acabaram ganhando espaço no cenário musical da cidade e na mídia nacional. Mérito também da rádio Fluminense FM e de alguns jornalistas que viam frescor e irreverência nessa nova geração. Entretanto, boa parte dela sofreu críticas severas por conta de suas composições despretensiosas e pelo rompimento com o que vinha sendo feito na música popular brasileira. Absorvida por uma indústria fonográfica em ascensão, a ala carioca do BRock também foi considerada culpada, entre outras coisas, de eclipsar o trabalho dos artistas independentes, como os da Vanguarda Paulista. Entretanto, seria imprudente não reconhecer a importância de uma cena que imprimiu, de forma contundente, o pop na música nacional. Por conta disso, foi possível, na década seguinte, presenciar o surgimento de bandas como Sex Beatles, Skank, Penélope, Jota Quest, Pato Fu, Video Hits e, mais à frente, de nomes que, mesmo sob o rótulo de neoMPB, adotaram uma linguagem pop, como Jonas Sá, Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz, Pélico, Letuce, Os Outros, SILVA, Tereza e Hidrocor. Mesmo que à primeira vista pareça um tanto inusitada, essa conexão aos poucos vem sendo percebida, sobretudo com o início do diálogo entre esta nova geração e alguns artistas que marcaram os anos 80, como Lulu Santos, Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e Marina Lima.
Formada em 2009 em São Paulo, a banda Hidrocor é composta pelo carioca Marcelo Perdido (voz e violão) e pelo belenense Rodrigo Caldas (bateria), também integrante do Bazar Pamplona. Lançaram em 2010, o clipe “Planos Pro Ano Que Vem” e, em 2011, “Vou Voltar”, “Tchau Gravidade” e “Ma Cherie”, este último filmado em Paris por Marcelo e sua esposa, Fernanda Vidal, durante sua lua de mel. O vídeo teve grande repercussão e ultrapassou 100.000 visualizações no YouTube. Em 2012, finalmente lançaram pelo selo Capitão Monga Records seu primeiro disco, “Edifício Bambi”, extremamente pop e contando com as participações de artistas da nova geração, como Lulina e Tatá Aeroplano. Investindo fortemente na produção audiovisual, nesse mesmo ano, a banda lançou mais dois clipes, “Edifício Bambi” e “Duda”. Também nesse período, participou de dois álbuns-tributo: “Re-Trato” e “Jeito Felindie”, em homenagem, respectivamente, aos grupos Los Hermanos e Raça Negra. Em 2013, preparam-se para uma turnê pelo país e o lançamento virtual de um single com duas músicas inéditas: “A Gente Diz Que Tá Aprendendo a Amar” e “Nem Todo Amor Que Começa Acaba”.
Vindo ao Rio com a sua banda para se apresentar ao lado de Brunno Monteiro no Estúdio Floresta, Marcelo Perdido aceitou o nosso convite para uma entrevista ao Banda Desenhada. O músico nos falou de suas influências, das atuais dificuldades de uma banda independente e das controvérsias em relação à música “Ma Cherie”.
marcadores hidrocor, thiago pethit, tiê, tulipa ruiz
a hora da mu dança
publicado em 8 de jan. de 2013 comente »
marcadores anelis assumpção, bixiga 70, iara rennó, peri pane
la banda usurpada vol. 1 – são, são paulo meu amor
publicado em 2 de jan. de 2013 comente »
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| fotomontagem: márcio bulk |
No início de dezembro, fui à gravação do especial de fim de ano do Cultura Livre, programa de rádio capitaneado por Roberta Martinelli e que há algum tempo ganhou espaço também na TV. Era o “Show da Virada”, tipo réveillon em Copacabana só que indie (por favor, leia esta última palavra com toda a ironia do universo). No palco, passaram 18 artistas que representaram de forma significativa o que há de mais interessante na atual música popular brasileira. Tulipa Ruiz, Leo Cavalcanti, Marcia Castro, Filipe Catto, Blubell, Kiko Dinucci, Rafael Castro, Juçara Marçal, Karina Buhr, Tatá Aeroplano, Pélico, Felipe Cordeiro, Letuce, Bárbara Eugênia, Rael, Laura Lavieri e – nem tão novo MPBista assim – Mauricio Pereira se apresentaram ora individualmente, ora em parcerias, tendo sempre como banda de apoio os heroicos meninos de O Terno. Bem no meio dessa festa tão imodesta, pela hora da contagem regressiva, todos foram ao palco cantar “Gente Aberta”, canção de Erasmo Carlos que inicia com os proverbiais versos: “Eu não quero mais conversa/ Com quem não tem amor”. Era possível ver a felicidade estampada no rosto de cada um da trupe. Entre um intervalo e outro, os próprios artistas iam para a plateia, fazendo bela fuzarca e se divertindo como poucos. Nos bastidores, enquanto Blubell e Tulipa Ruiz usavam e abusavam do Instagram, Letícia Novaes fazia o mapa astral de Filipe Catto. Este, cantarolava com Bárbara Eugênia uma música do rei. De forma cômica, Leo Cavalcanti dava bronca em Pélico por saber melhor a letra de “Se Você me Perguntar” do que o próprio autor. A videomaker Nina Cavalcanti, irmã de Leo, providenciava bebidinhas para a jornada de mais de quatro horas de gravação. Assim, de forma displicente, o clima de festa serviu para demonstrar o porquê da cena paulistana ter dado tanto certo. Ali, em meio aos artistas e fãs, também se encontravam produtores, jornalistas, blogueiros e afins. Estes, em grande parte responsáveis por fomentar a cena, estavam no mesmo clima dos demais: Zé Pedro, do selo Jóia Moderna, não escondia o entusiasmo durante as apresentações, assim como o jornalista Marcus Preto e Cristina Chehab (colaboradora dos blogs Musicoteca e Banda Desenhada).
Bem, e eis que finalmente chego ao ponto principal desta história: o amor e a generosidade. Mais do que jogos de interesse e guerra de egos, naturais no meio artístico, o que se viu durante todo o processo de gravação do programa foi uma enorme vontade de que tudo desse certo. Diversos profissionais e amigos de fato se confraternizavam por acreditar no trabalho e na força daqueles artistas. E, sinceramente, sinto que é isto que falta à cena carioca. Enquanto não houver um grupo unido de profissionais que fomente a cena, enquanto não houver igual generosidade por parte dos artistas, enquanto não houver mais entusiastas, será muito difícil termos uma visibilidade próxima à da cena de São Paulo. Claro que nós cariocas nos esforçamos. Como não reconhecer a importância de trabalhos como os programas de rádio Faro MPB e Geleia Moderna, o projeto “Levada Oi Futuro”, ou blogs como Já Ouviu? e – desculpem a falta de modéstia –, Banda Desenhada? Entretanto, ainda é pouco. Muito pouco. Então, considere isso um puxão de orelha, daqueles bem dados. Tipo de mãe, que depois de falar mil vezes com o filho endiabrado, perde a pouca paciência e manda ver. Tipo de quem vive na cidade maravilhosa há mais de 20 anos e quer muito que ela dê certo, que a sua música dê certo. Então, por favor, está na hora de colocarmos egos, mesquinharias e afins de lado e partir para a ação. Ou como bem diz certa dupla carioca que conhece bem sua seara: “Why carão? Love carinho”.
marcadores bárbara eugênia, blubell, filipe catto, juçara marçal, kiko dinucci, la banda usurpada, leo cavalcanti, letuce, marcus preto, o terno, pélico, roberta martinelli, tulipa ruiz
parceiros do futuro
publicado em 17 de dez. de 2012 2 comentários »
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o terno (da esquerda para a direita): guilherme d'almeida, tim bernardes, victor chaves | fotos: daryan dornelles
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marcadores laura lavieri, marcelo jeneci, o mulheres negras, o terno, rafael castro, tulipa ruiz
moleque maravilhoso
publicado em 27 de nov. de 2012 comente »
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| fotos: daryan dornelles |
Nascido em São Paulo e criado em Lençóis Paulista, a 280 km da capital, Rafael Castro representa como ninguém a atual cena independente brasileira. Compositor, produtor e multi-instrumentista, lançou, sozinho, nada menos que 10 trabalhos: “Fazendo Tricot” (2006), “40 dias em Hong Kong” (2007), “A Serenata do Capeta” (2007), “Combustão Espontânea” (2007), “Amor, Amor, Amor” (2008) “Maldito” (2008), “Raiz” (2009) e “O Estatuto do Tabagista” (2009), “RC canta RC” (2011) e “Lembra?” (2012). Gravados na casa de seus pais, Rafael disponibilizou gratuitamente os nove primeiros sem jamais tê-los lançado em formato físico. Em 2010, após comprar um gerador, partiu para a estrada ao lado de sua banda de apoio, Os Monumentais, para realizar uma série de apresentações gratuitas em locais abertos, na tentativa de criar um novo público e conquistar um espaço distinto do já habitual circuito de casas de shows. Conhecido por seu senso crítico e por suas canções politicamente incorretas e mordazes, Rafael, em seu mais recente álbum, “Lembra?”, reiterou parte de suas convicções, tomando para si todo o processo de produção e dando continuidade a sua verve de cronista em músicas como “Surdo-Mudo” e “A Menina Careca”. Como diferencial, investiu no lançamento físico do álbum, empenhando-se em sua divulgação e convocando alguns colegas de cena, como Leo Cavalcanti, Tulipa Ruiz e Pélico para colaborarem em algumas faixas.
marcadores leo cavalcanti, rafael castro, tulipa ruiz
a frase, o conceito, o enredo, o verso
publicado em 16 de nov. de 2012 2 comentários »
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| fotos: daryan dornelles |
Desde o século passado, a música popular brasileira vem desenvolvendo um intenso diálogo com a literatura nacional. Poetas como Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira tiveram alguns de seus trabalhos adaptados por importantes nomes da MPB e tornou-se notória a parceria do escritor Jorge Amado com o compositor e cantor Dorival Caymmi. Entretanto, foi somente no final dos anos 50, com o aparecimento da bossa nova, que esta conversação se intensificou. O poeta Vinicius de Moraes, unindo-se a Tom Jobim, foi responsável por estreitar esses elos, produzindo uma obra que ainda hoje é referência para boa parte dos compositores do país.
Tomando para si o espírito modernizador bossanovista, o tropicalismo trouxe para o seu ideário a antropofagia de Oswald de Andrade e aproximou-se dos poetas concretos. Não à toa, também estiveram presentes direta ou indiretamente no movimento o escritor e cineasta José Agripino de Paula e os poetas Torquato Neto, Capinan e Waly Salomão. Caetano Veloso - um dos principais articuladores do tropicalismo - tornou-se parceiro do poeta e ensaísta Ferreira Gullar, com quem compôs “Onde Andarás?”. Mais tarde, o músico baiano veio a musicar “Circuladô de Fulô”, poema de Haroldo de Campos, e o clássico "Navio Negreiro" de Castro Alves. Ferreira Gullar ainda teve dois de seus poemas musicados por Fagner. Este se dedicou também a adaptar alguns trabalhos de Cecília Meirelles, Fernando Pessoa e Florbela Espanca. Já Chico Buarque, que em 1966 lançou em disco uma adaptação para “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, voltou-se mais à frente à carreira de escritor, publicando em 1991 “Estorvo”, seu primeiro romance. Fazendo o caminho inverso, antes de tornar-se um músico cultuado, Jorge Mautner se enveredou pela literatura, ganhando o Prêmio Jabuti pelo livro “Deus da Chuva e da Morte” (1962). Ainda nos anos 60, o poeta Cacaso passou a desenvolver uma sólida carreira de letrista, colaborando com inúmeros artistas, como Edu Lobo, Tom Jobim, Sueli Costa, Joyce, Toninho Horta, Francis Hime e João Donato. Mais à frente, oriundos da vanguarda paulista, os músicos e ensaístas Luiz Tatit e José Miguel Wisnik aprofundaram as ligações entre a música popular e a literatura ao publicarem diversos textos a respeito desse tema. Até mesmo o BRock, com o seu forte acento pop, não deixou de dar continuidade a esse diálogo: Cazuza e Frejat musicaram trecho de “Água Viva”, de Clarice Lispector; os poetas Chacal e Bernardo Vilhena colaboraram com diversos artistas e bandas, como Blitz, Barão Vermelho, Ritchie, Lulu Santos e Lobão; Renato Russo adaptou o Soneto de Camões e da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios para criar seu “Monte Castelo”; Paula Toller e George Israel inspiraram-se em poemas de Murilo Mendes e Olavo Bilac para compor, respectivamente, “Tomate” e “Ouvir Estrelas”. Ainda nessa época, o cantor e compositor Arnaldo Antunes passou a se dedicar à literatura, com forte influência da poesia concreta. Entretanto, talvez o exemplo mais pertinente desse período seja a frutífera parceria de Marina Lima com o seu irmão, o poeta e filósofo Antonio Cícero. Este veio posteriormente a contribuir com Adriana Calcanhotto, uma das artistas que mais vem se dedicando ao entrecruzamento de literatura e música popular.
Nos anos 2000, sob a alcunha de nova MPB ou neoMPB, viu-se uma nova geração dar continuidade a esse legado: Iara Rennó musicou “Macunaíma”, de Mário de Andrade; o poeta Omar Salomão integrou a banda Vulgo Qinho & Os Cara; Tulipa Ruiz prestou sua homenagem a Manoel de Barros ao compor “A Ordem das Árvores Não Altera o Passarinho”; o poeta arrudA incursionou pela música em projetos com Alzira E e Peri Pane; em “Bogotá”, Criolo fez referência a “Vou-me embora pra Pasárgada”, de Manuel Bandeira; Botika, da banda Os Outros, e Estrela Leminski construíram suas carreiras onde música e literatura se tornaram indissociáveis; Alexandre Kumpinski, da banda gaúcha Apanhador Só, em parceria com o poeta Marcelo Noah, compôs “Peixeiro”; Romulo Fróes desenvolveu boa parte de seu repertório a partir de sua parceria com o artista plástico e escritor Nuno Ramos; e, entre outros tantos exemplos, está o grupo Isadora, que, ao lançar seu primeiro disco, “A Eletrônica e Musical Figuração das Coisas” (2012), trouxe para o seu universo a poética de Eucanaã Ferraz, Paulo Henriques Britto e do colombiano Carlos Patiño Milán.
Formado em 2005, Isadora é composto atualmente por Bruno Cosentino (voz, violão e guitarra), Andrés Patiño (violão e guitarra), Alexandre Jannuzzi (baixo), Gabriel Carneiro (bateria) e Pedro Tié (piano e eletrônica). Tendo passado pelo programa Experimente, do canal Multishow, e se apresentado no projeto Levada Oi Futuro, o grupo é um dos nomes da nova cena musical carioca. Tendo conhecimento disso, o Banda Desenhada convidou para esta entrevista seu vocalista e principal compositor, Bruno Cosentino. Este, que atualmente está envolvido na produção de seu disco solo, além de um projeto em parceria com o cantor Arthur Nogueira, falou de sua experiência na cena independente, suas influências e a forte ligação com a literatura. A entrevista, a princípio realizada em um café no bairro da Glória (RJ), foi posteriormente desenvolvida em e-mails e bate-papos em redes sociais.
marcadores arthur nogueira, bruno cosentino, césar lacerda, isadora



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