facebulk vol. 1 – thiago pethit – we like dancing and we look divine

foto: gianfranco briceño arévalo
Pethit Thiago

Informações básicas
Data de nascimento: 17 de setembro
Informações de contato
Celulares: Peça o número de telefone de Thiago
Endereço: Peça o endereço de Thiago
Site: http://www.thiagopethit.com
E-mail: Peça o e-mail de Thiago
Facebook: http://facebook.com/thiago.pethit

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da natureza dos lobos

fotos: daryan dornelles


No Brasil 2010´s, criou-se uma 'cultura' de que você tem que ser ou querer ser mainstream, e eu não entendi de todo essa especulação. Tocar na novela das 20h ou dizer que quer ser muito popular, é que é 'legal'. E se você não tem essa intenção de ser grande nos meios de 'massa', então você é pedante, entojado, chato e hipster (palavra que aqui no terceiro mundo, ainda não me fez nenhum sentido). Não tenho nenhuma vontade de tocar na novela, porque eu não gosto de novela! Porque eu discordo de novela! Porque lá, se defende um draminha de um mundo que eu não acredito: drama dos burgueses do Leblon, drama das patricinhas de SP, drama dos negros que são sempre os empregados e drama dos gays que nunca dão beijo. Não há nenhuma subversão no melodrama! Isso não tem a ver com 'rejeitar a cultura de massa popular' por ser de massa, ou por ser popular. Isso tem a ver com não querer estar de acordo com valores que não me interessam. Se isso é o mainstream, incluam-me fora dessa. Me chamem de indie, de hipster, de entojado, de 'cool da cobra' ou de pedante. Mas lembrem-se, nada mais pedante do que chamar alguém de pedante...
Texto publicado por Thiago Pethit em sua página no facebook no dia 23 de janeiro de 2013.

Um dos principais nomes da cena contemporânea paulistana, Thiago Pethit nunca deixou de expressar qualquer crítica à sua geração, provocando, por vezes, mal-estar em seus colegas, principalmente ao tratar algumas tendências do establishment. Dono de um forte senso crítico, o músico paulistano vem desenvolvendo sua carreira de forma bastante singular. Sua história é atípica: ator desde os nove anos, decidiu largar os palcos e se dedicar à música após trabalhar como diretor de cena em um projeto desenvolvido por Tiê e Dudu Tsuda. Depois de uma viagem de estudos à Argentina, lançou em 2008 o EP “Em Outro Lugar”, estreando como cantor no Studio SP, onde abriu o show de Will Oldham. Em seu repertório, canções pops e autorais com forte influência da chanson française e do folk. Para os mpbistas de plantão, as suas referências atípicas, bem como a grande quantidade de canções em inglês e francês, causaram desconforto. Por outro lado, foi visto por alguns jornalistas como um dos renovadores da música popular brasileira, obtendo assim destaque nos veículos de comunicação de São Paulo. Em 2009, ao lado de Tulipa Ruiz, Dudu Tsuda, Tatá Aeroplano e Tiê – sua mais constante parceira –, fez uma série de shows intitulada “Novos Paulistas”, gerando, mesmo que não intencionalmente, a abertura de um espaço que possibilitou o surgimento de inúmeros novos artistas. No ano seguinte, lançou de forma independente “Berlin, Texas”, seu primeiro álbum, produzido por Yury Kalil, do Cidadão Instigado, que contou com as participações do Cérebro Eletrônico, Helio Flanders, Tulipa Ruiz, Tiê, e outros. Ainda em 2010, ganhou no Video Music Brasil o prêmio “Aposta MTV”. Sempre com um forte discurso anti-mainstream e sem o apoio de selos ou gravadoras, Pethit lançou, em 2012, seu segundo álbum, “Estrela Decadente”, fruto de um período de depressão que viveu no ano anterior. Inspirado nos cabarés alemães e no outside nova-iorquino dos anos 70, o disco teve a colaboração de Mallu Magalhães e Cida Moreira. Esta última dividiu os vocais com Pethit em uma versão de “Surabaya Johnny”, de Bertolt Brecht e Kurt Weill. Adotando uma postura mais enérgica, o músico afastou-se propositalmente da imagem de bom moço e envolveu-se em um repertório onde a sexualidade e a androgenia deram o tom. 
Presente no Rio para uma apresentação no teatro Solar de Botafogo, Thiago já vinha conversando há algum tempo com o Banda Desenhada a respeito desta entrevista. Após a sessão de fotos na zona portuária da cidade, o músico foi ao estúdio Fotonauta e nos falou a respeito de sua geração, influências, inquietações e processo de criação.

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tempos modernos

fotos: daryan dornelles


Rio de Janeiro, verão de 1982. Instalado na praia do Arpoador e, posteriormente, transferido para o bairro da Lapa, o Circo Voador apresentava novos cantores e bandas que, em sua grande maioria, eram influenciados pela new wave e pelo rock dos anos 60, incluindo a jovem guarda. Passando pelo seu palco ou pela então badalada boate Noites Cariocas, nomes como Blitz, Lulu Santos, Ritchie, Eduardo Dusek, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, Biquini Cavadão, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, Leo Jaime e Os Paralamas do Sucesso acabaram ganhando espaço no cenário musical da cidade e na mídia nacional. Mérito também da rádio Fluminense FM e de alguns jornalistas que viam frescor e irreverência nessa nova geração. Entretanto, boa parte dela sofreu críticas severas por conta de suas composições despretensiosas e pelo rompimento com o que vinha sendo feito na música popular brasileira. Absorvida por uma indústria fonográfica em ascensão, a ala carioca do BRock também foi considerada culpada, entre outras coisas, de eclipsar o trabalho dos artistas independentes, como os da Vanguarda Paulista. Entretanto, seria imprudente não reconhecer a importância de uma cena que imprimiu, de forma contundente, o pop na música nacional. Por conta disso, foi possível, na década seguinte, presenciar o surgimento de bandas como Sex Beatles, Skank, Penélope, Jota Quest, Pato Fu, Video Hits e, mais à frente, de nomes que, mesmo sob o rótulo de neoMPB, adotaram uma linguagem pop, como Jonas Sá, Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz, Pélico, Letuce, Os Outros, SILVA, Tereza e Hidrocor. Mesmo que à primeira vista pareça um tanto inusitada, essa conexão aos poucos vem sendo percebida, sobretudo com o início do diálogo entre esta nova geração e alguns artistas que marcaram os anos 80, como Lulu Santos, Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e Marina Lima.
Formada em 2009 em São Paulo, a banda Hidrocor é composta pelo carioca Marcelo Perdido (voz e violão) e pelo belenense Rodrigo Caldas (bateria), também integrante do Bazar Pamplona. Lançaram em 2010, o clipe “Planos Pro Ano Que Vem” e, em 2011, “Vou Voltar”, “Tchau Gravidade” e “Ma Cherie”, este último filmado em Paris por Marcelo e sua esposa, Fernanda Vidal, durante sua lua de mel. O vídeo teve grande repercussão e ultrapassou 100.000 visualizações no YouTube. Em 2012, finalmente lançaram pelo selo Capitão Monga Records seu primeiro disco, “Edifício Bambi”, extremamente pop e contando com as participações de artistas da nova geração, como Lulina e Tatá Aeroplano. Investindo fortemente na produção audiovisual, nesse mesmo ano, a banda lançou mais dois clipes, “Edifício Bambi” e “Duda”. Também nesse período, participou de dois álbuns-tributo: “Re-Trato” e “Jeito Felindie”, em homenagem, respectivamente, aos grupos Los Hermanos e Raça Negra. Em 2013, preparam-se para uma turnê pelo país e o lançamento virtual de um single com duas músicas inéditas: “A Gente Diz Que Tá Aprendendo a Amar” e “Nem Todo Amor Que Começa Acaba”.
Vindo ao Rio com a sua banda para se apresentar ao lado de Brunno Monteiro no Estúdio Floresta, Marcelo Perdido aceitou o nosso convite para uma entrevista ao Banda Desenhada. O músico nos falou de suas influências, das atuais dificuldades de uma banda independente e das controvérsias em relação à música “Ma Cherie”.

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para alegrar o dia


fotos: daryan dornelle
Sim, o Brasil é um país de cantoras. Ao longo das duas últimas décadas, vimos surgir dezenas e mais dezenas de vozes que, com um repertório na maioria das vezes eclético e nada autoral, dominaram as rádios e mídias do país. Entretanto, por volta de 2007, finalmente um canto dissonante - doce e discreto - surgiu: Com forte influência de folk e com letras singelas, Tiê foi uma das primeiras artistas independentes de uma geração que, imprimindo um estilo próprio, conquistou seu espaço e adicionou novos ingredientes à música  brasileira. A cantora que chegou a ser modelo e dona de um café brechó em São Paulo, por um bom tempo apresentou-se ao lado de Toquinho, antes de iniciar a sua carreira solo. Em 2007, com auxílio do produtor, músico e artista multimídia Dudu Tsuda, gravou um EP com quatro canções de sua autoria. Após dois anos, lançou o seu elogiado primeiro álbum, "Sweet Jardim", considerado pela imprensa um dos mais importantes discos da década. Em 2011, já integrada ao casting de uma grande gravadora, Tiê lançou o segundo álbum, “A coruja e o coração”, onde reiterou sua verve de compositora e reforçou os laços com seus companheiros de cena, gravando “Só sei dançar com você” de Tulipa Ruiz e “Mapa-múndi”, de Thiago Pethit. A cantora também mostrou seu lado iconoclasta ao fazer a releitura do megahit “Você não vale nada” da banda de forró Calcinha Preta. Após realizar uma turnê pelos EUA, ao lado de Tulipa, Tiê se apresentou com o uruguaio Jorge Drexler na quarta edição do festival Rock in Rio, no Palco Sunset. Escalados pelo músico e produtor Zé Ricardo (curador de dois Rock in Rio em Lisboa), vários artistas que por ali passaram são oriundos da atual cena independente que, aos poucos, vem ganhado visibilidade no  cenário musical brasileiro.
No mesmo mês de outubro, Tiê voltou ao Rio para se apresentar na segunda edição do Festival Faro, reservando um pouco de seu tempo para o Banda Desenhada. Mesmo exausta após uma demorada passagem de som e preocupada com sua filha, Liz, a cantora nos contou a respeito de sua carreira, projetos, turnês e a bela parceria com a estilista Rita Wainer:

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de papel crepom e prata


thalma touro e tigre | foto de yuri pinheiro

O primeiro contato com o trabalho do ilustrador Gabriel Mar foi enigmático: poucos meses atrás, durante a entrevista com a cantora e compositora Iara Rennó, uma imagem colada à parade, bem acima de sua cabeça, me chamava a atenção. Tratava-se de uma espécie de colagem, quase uma mandala, repleta de animais e plantas selvagens que emolduravam um retrato. Multicolorido e de forte referência ssessentista, a figura era magnetizante. Algum tempo se passou e novamente fui ao Miradouro, local de encontro de diversos artistas e morada não só de Iara Rennó, mas também da então entrevistada Thalma de Freitas. Não resisti e a indaguei sobre o autor do trabalho. Por sorte, Thalma me contou que o menino prodígio era mais um habitante da casa e que possuía um portfólio repleto de ilustrações, pôsters e capas de CDs de artistas da nova música brasileira. Por certo, suas colagens caíam como uma luva nas experimentações estéticas desta nova geração, marcada tanto por sua pluralidade quanto por sua inquietude. 
Não pensei duas vezes e logo convidei Gabriel para uma entrevista ao Banda Desenhada. Como de hábito, não faltaram participações especiais: Thalma e Felipe Benoliel, do coletivo carioca Apavoramento Sound System e também morador do Miradouro, fizeram pequenas intervenções na conversa que tive com o designer/ilustrador. Confiram agora o nosso colóquio: 

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assinado eu

fotos: daryan donelles


O carioca Daryan Dornelles é um dos mais importantes fotógrafos brasileiros da atualidade. Formado em cinema e jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e com mais de 16 anos de carreira, Dornelles é reconhecido por seus retratos que já estamparam as mais diversas publicações nacionais e internacionais: Placar, Marie Claire, Rolling Stone, Época, Bravo!, a inglesa World Soccer, Serafina, Tpm, etc. Ao lado de Edu Monteiro e Andrea Marques, tornou-se, há mais de dez anos, sócio do estúdio Fotonauta. Em 2007, ganhou o Prêmio Abril de Fotografia, por conta de um trabalho realizado para a revista Placar. Sua conhecida paixão pela música o levou também a fotografar diversas capas de CDs, como as de Teresa Cristina, Barão Vermelho e João Donato, além de se dedicar à produção de um livro de retratos de músicos do país.
Recentemente, Daryan acabou chamando a atenção do Banda Desenhada ao direcionar seu foco para a nova geração da MPB. Entramos então em contato com o artista que nos recebeu em seu estúdio, na Glória (RJ), para esta entrevista, onde falou a respeito de seu trabalho e a sua relação com a nova cena da música brasileira.

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