GINGA RAINHA

ilustração: márcio bulk | fotos de arícia mess: daryan dornelles
Mesmo que não tenha sido sua intenção, Arícia Mess tornou-se uma das artistas mais emblemáticas da música independente brasileira. Despontando na cena carioca dos anos 1990, a cantora foi sensação no circuito alternativo com o show “Super Legal”, onde trazia à baila uma nova safra de compositores, como Mathilda Kóvak, Pedro Luís e Suely Mesquita. Porém, mesmo com sua festejada estreia e sendo cortejada pela Sony Music e pela inglesa Acid Jazz, Arícia decidiu lançar seu primeiro álbum, Cabeça Coração, de forma independente. Em um momento em que a internet ainda dava seus primeiros passos e as majors dominavam não só o mercado, mas também os meios de comunicação, sua escolha foi, no mínimo, ousada. O álbum saiu primeiro no Japão, pela Nippon Crown, em março de 2000, sendo posteriormente lançado no Brasil pela Orbita Music, gravadora de seu produtor Carlos Trilha. Em 2002, a cantora novamente deu mostras de seu caráter vanguardista ao se mudar para São Paulo, cidade que, anos depois, tornou-se o grande celeiro da música contemporânea brasileira. Entretanto, foram necessários quase dez anos de gestação para que seu aguardado segundo álbum fosse lançado. Em Onde Mora o Segredo, Arícia voltou a flertar com as suas principais referências – a black music e a MPB – e iniciou um saudável diálogo com uma nova geração de artistas.
Sendo figura ativa neste momento de transição da indústria cultural, Arícia nos recebeu para uma entrevista no estúdio de seu produtor, Carlos Trilha, no bairro do Humaitá (RJ). A cantora nos falou a respeito de sua carreira, o mercado fonográfico e o contato que vem travando com os novos nomes da MPB.

- continue lendo >

de papel crepom e prata


thalma touro e tigre | foto de yuri pinheiro

O primeiro contato com o trabalho do ilustrador Gabriel Mar foi enigmático: poucos meses atrás, durante a entrevista com a cantora e compositora Iara Rennó, uma imagem colada à parade, bem acima de sua cabeça, me chamava a atenção. Tratava-se de uma espécie de colagem, quase uma mandala, repleta de animais e plantas selvagens que emolduravam um retrato. Multicolorido e de forte referência ssessentista, a figura era magnetizante. Algum tempo se passou e novamente fui ao Miradouro, local de encontro de diversos artistas e morada não só de Iara Rennó, mas também da então entrevistada Thalma de Freitas. Não resisti e a indaguei sobre o autor do trabalho. Por sorte, Thalma me contou que o menino prodígio era mais um habitante da casa e que possuía um portfólio repleto de ilustrações, pôsters e capas de CDs de artistas da nova música brasileira. Por certo, suas colagens caíam como uma luva nas experimentações estéticas desta nova geração, marcada tanto por sua pluralidade quanto por sua inquietude. 
Não pensei duas vezes e logo convidei Gabriel para uma entrevista ao Banda Desenhada. Como de hábito, não faltaram participações especiais: Thalma e Felipe Benoliel, do coletivo carioca Apavoramento Sound System e também morador do Miradouro, fizeram pequenas intervenções na conversa que tive com o designer/ilustrador. Confiram agora o nosso colóquio: 

- continue lendo >