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| fotos: daryan dornelles |
Tendências, traços geracionais, influências, cenas, coletivos e parcerias... Ao longo dos últimos três anos, todas estas questões nortearam as entrevistas do
Banda Desenhada. Mesmo havendo uma tendência natural do blog em recortar e classificar a produção musical brasileira, sempre houve espaço para críticas e opiniões discordantes. Afinal, é a partir desta diversidade de vozes e de seus embates que se torna possível o aprofundamento de questões nevrálgicas que, futuramente, não só ajudarão a criar um painel mais multifacetado deste período como também apontarão para novos paradigmas. Assim, é de relevância o que o músico mineiro César Lacerda aponta nesta entrevista, ao criticar não só a própria historiografia da neoMPB como também a fragilidade técnica e certos vícios e tendências desta produção musical.
Nascido em Diamantina, César Lacerda iniciou sua carreira ainda na adolescência, ao integrar em Belo Horizonte o grupo (cLAP!), com quem lançou o EP “13’31”” e o álbum “um3” (2006). Em 2007, mudou-se para o Rio, inicialmente trabalhando como instrumentista em grupos de samba, jazz e choro. Em 2009, gravou “Ouça de Fone”, disco realizado em parceira com a cantora e compositora mineira Luiza Brina. Lançado no ano seguinte pelo site Musicoteca com o título “Vem aí, Coletivo Abigail”, foi mais tarde relançado, após nova produção e mixagem, pelo Jardim da MPB. Em 2010, ao lado de Luiza e de Luiz Gabriel Lopes (Graveola e o Lixo Polifônico), César idealizou o projeto “Por Um Passado Musicável: Notícias Numa Fita”, onde, por meio do Skype, o trio criava novas composições para, em seguida, apresentá-las em shows. Em 2013, dois anos após disponibilizar para download seu EP homônimo, César lançou seu primeiro disco, o elogiado “Porquê da Voz”, contando com diversas participações especiais, entre elas: Lenine, Marcos Suzano, Carlos Posada e Juliana Perdigão.
Após assistir a sua apresentação na temporada Gancho, no Espaço Multifoco (Lapa), em novembro do ano passado, convidamos César Lacerda para esta entrevista, que se realizou em um bar tradicional do bairro de Santa Tereza (RJ). Lá, conversamos a respeito de sua carreira, influências, geração e a cena independente brasileira.
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