NO EMBALO DO AMOR V.1

do amor (da esq. para a dir.): gabriel mayall, gustavo benjão, ricardo dias gomes e marcelo callado | fotos: daryan dornelles
Caetano Veloso, Nina Becker, Canastra, Lafayette & Os Tremendões, Silvia Machete, Jonas Sá, Los Hermanos, Lucas Santtana, Nervoso e os Calmantes, Alice Caymmi, Totonho & Os Cabra, Rubinho Jacobina, Zumbi do Mato, Brasov, Tulipa Ruiz, +2, Quito Ribeiro, Jorge Mautner, Branco Mello, Iara Rennó... A lista de artistas e projetos que contam ou contaram com a colaboração dos integrantes da banda Do Amor é bastante longa e serve para demonstrar a importância de Marcelo Callado (bateria e voz), Gabriel Mayall (guitarra e voz), Gustavo Benjão (guitarra e voz) e Ricardo Dias Gomes (baixo e voz) na atual produção musical brasileira.

O grupo carioca é formado por amigos de longa data que, há mais de uma década, atuam no cenário musical da cidade. Entretanto, Do Amor só tomou forma com o lançamento do EP homônimo, em 2007. Sob a produção de Chico Neves, o primeiro álbum, Do Amor, foi lançado três anos depois, em parceria com os selos + Brasil Música e Estúdio 304. A banda se apresentou em diversas regiões do país, além da Europa e América Latina. No final de 2011, Marcelo, Gabriel, Gustavo e Ricardo se isolaram em uma fazenda no município de Três Rios (RJ), no interior do estado, para elaborar seu trabalho seguinte, Piracema (Disco Maravilha). Produzido por Daniel Carvalho, o álbum contou com a participação de Arto Lindsay, Moreno Veloso, Alice Caymmi, Donatinho, Pedro Sá, Rodrigo Amarante, entre outros. Piracema foi lançado em 2012 e recebeu bastante elogios da imprensa especializada, entrando nas listas de melhores do ano em diversas publicações. Nesse mesmo período, Do Amor também participou de dois tributos: Coletânea Re-Trato (Musicoteca, 2012) e Agenor (Joia Moderna, 2013), em homenagem a Los Hermanos e Cazuza, respectivamente.

Após convidar os integrantes do grupo para a entrevista, o Banda Desenhada foi encontrá-los em um restaurante no bairro do Humaitá, onde conversamos a respeito de sua trajetória, processo criativo e influências.

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nostalgia, that's what rock'n'roll is all about

fotos: daryan dornelles
“Caetano Veloso surpreende ao fazer um álbum de rock”, “Um dos melhores álbuns de rock da década”, “Caetano ganha vigor em seu retorno ao rock”... Estas frases facilmente podem ser encontradas na maioria das resenhas a respeito do festejado disco “Cê” (2006). Inspirado em bandas como Pixies, TV on the Radio, Arct Monkeys, Caetano foi ovacionado por boa parte da mídia e do público ao voltar a abraçar um gênero que, há décadas, vem sendo considerado sinônimo de contemporaneidade. O rock, presente no país desde o final dos anos 50, em maior ou menor grau, tornou-se matéria-prima para boa parte de nossa produção musical, como a jovem guarda, o tropicalismo, o samba rock, o BRock, o manguebeat e a neoMPB. Sempre em constante mutação, o gênero foi absorvido por gerações e mais gerações de músicos brasileiros em suas diversas formas: desde o rockabilly, passando pelo folk, a psicodelia, o rock progressivo, o heavy metal, o punk, o pós-punk, a new wave, até o indie rock e os seus subgêneros.
Surgido em meados do século passado no sul dos Estados Unidos, o rock tem em seu berço a forte influência do blues e da country music. Entretanto, aos poucos, o gênero foi deixando de lado suas origens e seu caráter contracultural até se tornar um dos maiores signos da cultura pop. Vinculado a um forte marketing que atrelou sua imagem a um estilo de vida transgressor e inconsequente, o rock ultrapassou facilmente os limites da música, associando-se de forma indelével à juventude e ditando regras de moda e comportamento durante toda a sua história. Contestador e excelente laboratório para experimentações, o rock, por diversos momentos, também vem sendo utilizado como mero adereço de um sem número de modismos. Talvez, justamente por este caráter dúbio, conseguiu se perpetuar, tornado-se um elemento comum à boa parte da produção musical planetária e símbolo inconteste de uma eterna e almejada juventude.
É sobre este e outros tantos assuntos que o Banda Desenhada conversou esta semana com o guitarrista e produtor Pedro Sá. Integrante da Orquestra Imperial e da Banda Cê, com a qual acompanhou Caetano Veloso em seus últimos álbuns, Pedro também integrou a extinta e cultuada banda carioca Mulheres Q Dizem Sim, juntamente com Domenico Lancelotti, Palito e Maurício Pacheco. Considerado um dos grupos responsáveis pela atual cena musical brasileira, lançou apenas um álbum, em 1994, pela gravadora Warner. Sob a alcunha de Mike Balloni, Pedro participou depois da divertida e pouco conhecida Goodnight Varsóvia (também chamada Gold Nigth Varsóvia ou Gold Nyte Warsawa), ao lado de Kassin, Léo Monteiro, Moreno Veloso e Maurício Pacheco. O guitarrista  esteve presente ao lado de Lenine nos álbuns "O Dia que Faremos Contato" (1997) "Na Pressão" (1999) sendo, pouco tempo depois, convidado por Caetano Veloso para participar do “Noites do Norte” (2000), dando início assim à parceira que se estendeu nos anos seguintes. Paralelamente, Pedro colaborou com o projeto +2 e foi responsável por produzir o álbum de estreia de Rubinho Jacobina, “Rubinho e Força Bruta” (2005). Integrando a banda Cê, ao lado de Marcelo Callado e de Ricardo Dias Gomes,  o guitarrista foi responsável, juntamente com Moreno Veloso, pela produção de “Cê” e “Zii e Zie”(2009). O músico também participou do recente retorno de Gal Costa aos estúdios, gravando com sua guitarra o álbum “Recanto” (2011). Entre outras tantas iniciativas, Pedro ainda desenvolve, ao lado de Domenico, o projeto de improvisação “Vamos Estar Fazendo” e produz os novos álbuns de Rubinho Jacobina e de seu irmão, Jonas Sá, além  do disco de estreia de Moreno Veloso, com quem realizou uma série de shows intitulada "Parque 72".
Decididos a entender um pouco mais sobre a origem da atual produção músical brasileira, convidamos Pedro Sá para uma entrevista, onde o músico nos contou de sua carreira e deu opiniões sobre a atual cena:

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