o cara do outro lado

foto: daryan dornelles

Entender o atual cenário da música popular brasileira é uma tarefa complexa, ainda mais ao se tratar da cena independente. O aparecimento de uma geração tão criativa e heterogênea acaba por desnortear quem se aventura a estudá-la, pois, amiúde e com astúcia, ela vem incorporando em suas fileiras artistas de épocas e estilos diversos. Ainda sem um nome mais apropriado para designá-la, a “Neo-MPB” lança seu olhar sobre as mais distintas e insólitas referências, assim como outrora fizeram o Tropicalismo e o Manguebeat. Este último, fonte de inspiração para a cena atual, tornou-se "camaleonicamente" uma de suas múltiplas faces. Os trabalhos de Karina Buhr, Mombojó, Fernando Catatau, China e Ortinho são provas deste mimetismo e fundamentam a necessidade de um estudo sobre o Manguebeat para que se possa fazer uma análise sobre a música popular brasileira contemporânea.
Tendo conhecimento disto, o Banda Desenheda aproveitou a passagem de Ortinho pelo Rio de Janeiro e o contatou. O músico, ex-integrante da banda recifense Querosene Jacaré, lançou seu primeiro álbum solo em 2002. Já em seu terceiro trabalho, “Herói Trancado”, conseguiu unir diferentes gerações, formando parcerias com Arnaldo Antunes e Marcelo Jeneci, em um álbum com fortes influências de Jovem Guarda e BRock. Em sua entrevista, Ortinho falou abertamente sobre a sua experiência na música independente brasileira e o seu envolvimento com a “Neo-MPB”:

- continue lendo >