sobre a verdade e a mentira


fotos: daryan dornelles

Desde seu início, o Banda Desenhada vem tendo por objetivo mapear a atual cena da música brasileira, com foco em dezenas de artistas independentes do eixo Rio-São Paulo. Sabíamos, porém, tratar-se de uma tarefa árdua. Afinal, quais seriam os critérios utilizados para diagnosticar uma geração tão heterogênea como esta? Mesmo com o esforço de jornalistas e pesquisadores em agrupar figuras como Criolo, Karina Buhr, Marcelo Jeneci e Kiko Dinucci, qualquer catalogação cai por terra diante de suas falas tão antagônicas. Se, por um lado, são tidas como certas a ausência de um movimento e o forte elo com o tropicalismo, por outro, as diferenças estéticas são de tal ordem que seria no mínimo ingênuo querer inseri-los em algum novo estilo. Ao longo dos últimos seis meses, em mais de vinte entrevistas, o que mais se destacou para nós do Banda Desenhada foi a idiossincrasia destes artistas, com opiniões tão diversas que, muito mais do que promover atritos, acabam por validar a sua tão decantada pluralidade. E assim não seria diferente com a entrevistada desta semana, a cantora e compositora Andreia Dias. Uma das principais figuras da intitulada Neo-MPB, Andreia chegou a participar do grupo Farofa Carioca e integrou a Banda Glória e a seminal DonaZica, composta em sua grande maioria por músicos que se tornariam, poucos anos depois, figuras emblemáticas da cena atual: Anelis Assumpção, Iara Rennó, Guizado e Gustavo Ruiz. Em 2008, já em carreira solo, lançou o primeiro álbum de sua trilogia, o elogiado “Vol. 1”. Nele estavam presentes Fernando Catatau (compositor e guitarrista, líder do Cidadão Instigado) e Marcelo Jeneci. Com este álbum, a cantora excursionou pelas principais capitais do país, além de apresentar-se na WOMEX, em Sevilha, e realizar alguns shows em Barcelona e Paris. Dando continuidade ao seu trabalho, lançou em 2010 o “Vol. 2”, contando com as participações especiais, entre outros, de Zeca Baleiro, Arrigo Barnabé e Alzira E, deixando clara a sua ligação com a Vanguarda Paulista e, em especial, a obra de Itamar Assumpção
Uma das mais criativas compositoras da atualidade, destacando-se por sua verve debochada e corrosiva, Andreia recebeu o Banda Desenhada no Miradouro – QG de Thalma de Freitas -, em Santa Teresa (RJ), onde se preparava para mais uma de suas viagens pelo Norte-Nordeste do país, onde vem gravando seu próximo álbum. Despojada como poucas, a encontramos cuidando dos jardins da casa. Em meio às plantas e na companhia de dois filhotes de labrador que alegremente a atrapalhavam em sua tarefa, a cantora foi relatando suas experiências ao longo dos vinte anos de carreira:

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a dama do castelo

fotos: daryan dornelles

E mais uma vez o Banda Desenha se aventurou por Santa Teresa (RJ), adentrando o reino do Miradouro. Em seus poucos meses de existência, a casa/estúdio/laboratório/QG de Thalma de Freitas tornou-se um ponto de referência na cidade ao se falar de cultura e, principalmente, música. A atriz e cantora, integrante da Orquestra Imperial, optou por trilhar um caminho próprio: sem o menor interesse em se envolver com a burocracia do mainstream e com determinação e coragem para criar projetos mil, Thalma empenhou seus esforços na criação de seu próprio “reino”, onde músicos e artistas de variadas áreas, provenientes de diversas regiões do país e do exterior, se encontram e dialogam, promovendo uma confluência que, acima de tudo, instiga o pensamento criativo e a produção cultural. Através de registros audiovisuais, grande parte das ideias ali fermentadas será, posteriormente, divulgada no site do Miradouro, ainda em fase de construção.
 Por conta desta empreitada e por sua participação ativa na cena musical paulistana e carioca, convidamos a “dama do castelo” para uma entrevista. Thalma iniciou nossa conversa de forma, no mínimo, inusitada: em sua cozinha, fazendo um bolo de chocolate. Por fim, acabamos sendo convidados para o jantar. Convite irrecusável. Confiram, então, esta deliciosa patuscada:

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